03/07/2016 - 15:29
Ceratoconjuntivite seca: ainda há o que fazer

                Decidimos escrever sobre esse tópico pelo fato de simplesmente estarmos falando de umas das doenças oculares que mais acomete a visão dos cães em todo o mundo. Apesar de poder ocorrer em gatos também, é muito mais incomum. Qualquer raça pode contrair a doença, mas acompanhamos com mais frequência em raças como: Beagle, Basset Hound, Cocker Spaniel, Shih-Tzu, Pug, Lhasa Apso, Bulldog Inglês e Francês, Pequinês e Pinscher. Costuma acometer mais animais de meia idade e idosos, mas cães jovens podem também ter o problema.

                A ceratoconjuntivite seca é uma doença que afeta a produção de lágrima dos animais acometidos. Apesar de parece algo pouco relevante, estamos falando simplesmente da cessão do principal meio de nutrição da primeira lente dos olhos, a córnea. Além disso, a lágrima também possui participação na refração da luz que entra nos olhos e na lubrificação de toda superfície ocular. A sensação que o animal portador da doença tem é a de nunca piscar.

                Existem dois tipos de ceratoconjuntivite seca, a quantitativa, cuja quantidade de lágrima produzida é menor que o normal, e a qualitativa, cuja lágrima deixa de conter as quantidades ideais de gorduras e mucos que favorecem a permanência do filme lacrimal por mais tempo na superfície do olho.

                O principal sinal de que seu animal possa ser um portador da doença é a constante formação de secreção de branca a amarelada, muitas vezes em abundância, pior pela manhã e que forma-se rapidamente após a limpeza dos olhos. Com o tempo a córnea, que é a principal prejudicada com a falta de lágrima, começa a adquirir vasos sanguíneos e a sofres com a deposição de um pigmento negro. O resultado é a cegueira do animal. A causa dessa doença na maioria das vezes é auto-imune, ou seja, o próprio corpo ataca a glândula lacrimal, mas existem outras causas como doenças endócrinas, infecciosas, traumáticas e tóxicas. Devemos ficar atentos também à vermelhidão na parte branca dos olhos que indica alguma irritação.

                     

                                          

                  Como podemos ver nas fotos acima, o primeiro animal apresenta vasos na córnea que não deveriam estar presentes e o segundo animal já está com a córnea completamente pigmentada, impossibilidando que se observe a parte colorida do olho (íris). Notar também a secreção espessa nos dois casos.

                  Apesar de não ter cura é possível realizar o controle da doença corrigindo a causa principal e suplementando a lúbrificação do olho com lágrimas artificiais. O tratamento varia confirme a causa e o estágio da doença, mas nunca é demais lembrar que quanto antes for observada, melhor será o resultado do tratamento.

 

            Thiago A. C. Ferreira
    Médico Veterinário Oftalmologista
                CRMV/SC 4257

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