04/04/2018 - 21:32
Cílios e pelos mal posicionados

            Os cílios são pequenos pelos que nascem na borda das pálpebras superiores de cães, mas inexistentes em gatos, sendo chamados de falsos cílios ou nem considerados como tal. Algumas raças como o Cocker Spaniel, Schnauzer e Lhasa Apso (alguns dos exemplos) possuem belos cílios de tamanho grande que conferem ao cão um olhar doce e profundo. Outras raças os cílios não possuem grande tamanho podendo variar conforme o tamanho do animal. A função se baseia principalmente na proteção contra partículas que poderiam alcançar os olhos, mas eles também possuem função sensorial, inclusive para detecção de insetos  sobrevoando a face por meio do deslocamento do ar próximo aos cílios.
            Mas afinal como os cílios poderiam prejudicar a saúde ocular do cão ou do gato? Como assim "do gato" se gatos não possuem cílios? Veremos mais adiante. Existem basicamente três distúrbios do crescimento dos cílios. São eles: distiquíase, triquíase e cílios ectópicos. A distiquíase é uma condição onde os cílios ao invés de nascerem na pele da pálpebra no sentido externo, nascem dentro de uma das glândulas localizadas na margem das pálpebras chamada glândula tarsal (em torno de 20 em cima e em baixo) e estão direcionadas para dentro do olho como na foto abaixo.

          Vamos usar a mesma foto para indicar ainda outra condição chamada triquíase de canto medial, ou triquíase de carúncula lacrimal ou entrópio de canto medial que pode causar muito incômodo para o paciente e são esses pelos que crescem no canto nasal do olho. Clareamos um pouco a foto para facilitar a visibilização dos pêlos.

 

          Isso ocorre por conta de uma prega nasal resultante da seleção genética para criar a raça da foto, que no caso é um Shih-tzu. Pela física esta prega acaba invertendo a pele no canto nasal da pálpebra e junto com a pele, vão seus pelos. Isso ocorre inclusive em raças como Pequinês e Pugs cujos pelos da própria prega podem atritar diretamento o olho como na foto abaixo.

           Outra condição seriam os cílios ectópicos, que são ainda mais traiçoeiros uma vez que torna-se quase impossível para os responsáveis por um animal de visibilizá-los. Na foto abaixo temos uma noção do quanto, uma vez que mesmo sob aumento e indicando com um círculo, a tarefa de identificá-los não é fácil. Esta é uma pálpebra evertida e estamos vendo sua face interna.

          Seja qual for a condição que atinja seu animal, é difícil imaginar o grau do desconforto que um cílio mal posicionado pode ocasionar. Seres humanos que foram portadores dessas condições relatam desconforto quase insuportável, mas como nossos pequenos (e/ou grandes) parceiros não falam, resta-nos guiar por alguns sinais. O primeiro e mais importante deles, a raça. As raças mais predispostas a essas condições são: Shih-tzu, Lhasa-apso, Bulldog Inglês, Bulldog Francês, Pugs, Pequinês, Boxers e Dog de Bordeaux, ou seja os braquicefálicos em geral. Lembrando que outras raças de cães também podem ser portadoras dessas condições e que gatos, apesar de raríssimo distiquíase e cílios ectópicos, podem apresentar entrópio de canto medial com resultante triquíase, principalmente Persas. Outro sinal importante é a vermelhidão ao redor dos olhos acompanhada de muita secreção pegajosa ou muito lacrimejamento por parte do animal. Isso caracteriza claros sinais de irritação ou até mesmo dor ocular.
           Uma vez localizados recomenda-se remover a distiquíase e/ou cílio ectópico e acompanhar se há novo crescimento. Caso haja provavelmente haverá necessidade de algum procedimento cirúrgico para assegurar que não haja retorno. O procedimento varia conforme a necessidade. No caso das triquíases, ritidectomia seguida algumas vezes de blefaroplastia (ou seja remoção das pregas e cirurgia plástica das pálpebras) costumam resolver o problemas.
           Manter cílios e pelos mal posicionados pode causar cegueira a longo prazo em decorrência de úlceras de córnea ou muitas vezes gerando uma doença chamada ceratite pigmentar, muito comum em Pugs e que costuma progredir para a cegueira. Em casos mais graves que cursem em perfuração ocular alguns animais podem perder o olho.

           A avaliação com um veterinário oftalmologista experiente é de suma importância para a localização dessas afecções e para que sejam removidas a tempo pela técnica que melhor convir para o paciente e para o tipo de doença.

 

 

    Msc. Thiago A. C. Ferreira
Médico Veterinário Oftalmologista
           CRMV/SC 4257

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